Instituto Pensar - ?A política é do governo, o ministro executa?, diz novo chefe da Saúde

?A política é do governo, o ministro executa?, diz novo chefe da Saúde

por: Jaqueline Nunes 


Foto de encontro entre Marcelo Queiroga e o presidente Jair Bolsonaro, em setembro de 2020 ? (Foto: Reprodução)

Convidado pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido) a assumir o ministério da Saúde, Marcelo Queiroga, afirmou em entrevista na manhã desta terça-feira (16) que no que diz respeito às ações do Ministério, quem manda é o presidente Bolsonaro. Indagado por jornalistas antes de uma reunião com o atual gestor da pasta, Eduardo Pazuello, o futuro ex-ministro afirmou: "A política [de saúde] é do governo Bolsonaro e não do ministro da Saúde. O Ministro executa?.

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Ainda questionado sobre sua opinião a respeito do trabalho realizado por Pazuello, Queiroga se recusou a fazer qualquer avaliação. Ele decepcionou os que esperavam por grandes mudanças no ministério ao dizer que iria dar continuidade às ações que vinham sendo desenvolvidas na pasta nos últimos dez meses em que seu antecessor esteve no comando.

"Não tem avaliação da gestão Pazuello, não vim aqui avaliar. Vim aqui trabalhar pelo Brasil?, disse. "O ministro Pazuello tem trabalhado arduamente para melhorar as condições sanitárias no Brasil e eu fui convidado pelo Presidente Bolsonaro para dar continuidade a esse trabalho?, concluiu.

Sem mudanças Brasil pode piorar

O deputado federal Alessandro Molon (PSB-RJ) se manifestou, por meio do seu perfil no Twitter, sobre a declaração de Marcelo Queiroga. Ele lamentou que o médico cardiologista tenha aceitado o cargo sem garantir que o Ministério possa atuar em bases científicas. Molon também prevê que, caso não hajam mudanças na forma como o Governo Federal trata a pandemia, a situação do país possa se agravar ainda mais. "Tomara que Queiroga não esteja falando sério. Se estiver, a catástrofe que estamos vivendo vai se agravar?, afirmou o deputado.

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Ex-ministro do Esporte, o deputado federal Orlando Silva (PCdoB-SP) também foi ao Twitter registrar sua preocupação com a continuidade da política de saúde do atual governo. "O novo ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, acaba de confirmar com todas as letras o que temos dito aqui: não adianta mudar o Ministério, porque quem comanda o descalabro é o próprio Bolsonaro. Ou seja, o genocídio é política de governo. #BolsonaroGenocida"

Lockdown só em situações extremas

Em entrevista concedida à CNN na noite da segunda-feira (15), o futuro ministro foi perguntado sobre sua opinião acerca de medidas mais restritivas para conter o avanço da pandemia, como o lockdown. À emissora, Queiroga defendeu que o fechamento total das cidades só deve ser realizado em "situações extremas?. Além disso, destacou que a economia não pode ser deixada de lado.

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"Esse termo de lockdown decorre de situações extremas. São situações extremas em que se aplica. Não pode ser política de governo fazer lockdown. Tem outros aspectos da economia para serem olhados?, afirmou ele por telefone.

Apesar de não ter explicado qual seria o critério que utilizaria para classificar uma situação sanitária como "extrema? (recorde de mortes, colapso no sistema de saúde, incapacidade do governo central de adquirir vacinas suficientes ou outro), o escolhido de Bolsonaro seguiu a cartilha do presidente e reafirmou seu alinhamento com o discurso em "defesa da economia? utilizado desde o início da pandemia.

"Temos que assegurar que atividade econômica continue, porque a gente precisa gerar emprego e renda. Quanto mais eficiente forem as políticas sanitárias, mais rápido vai haver uma retomada da economia?, declarou.




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